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Agosto: O trabalho e a educação no Brasil.

  • 7 de ago. de 2015
  • 3 min de leitura

Século XXI, um período em que a técnica é louvada e o pragmatismo um

considerado um deus. O trabalho também não foge desses paradigmas,

ele é altamente técnico e pragmático, os fundamentos não são mais

questionados, ou melhor, não se valoriza mais o fundamento, a questão

dos “porquês?”; “para que?”; “podemos fazer isso?”; “qual é o efeito

colateral, para a sociedade?”, nada é questionado em seu cerne, em seu

interior. É neste senário que analisaremos o trabalho e sua relação com a

educação, delimitando o tema à sociedade brasileira.

Hoje, ao menos no Brasil, existe uma certa valorização da meritocracia

vinculado ao senso comum, poderia dizer, o senso comum acredita que

existe uma meritocracia, como se bastasse trabalhar, acordar cedo e dar

o seu melhor, deste modo o indivíduo vai ser recompensado. Neste ponto

nos deparamos com dois erros que são cometidos pelo senso comum,

pela maioria das pessoas: O primeiro se refere ao fato de acreditar que a

melhor recompensa é o dinheiro, uma herança dos filmes hollywoodianos,

onde o mocinho deve se esforçar e trabalhar muito durante um tempo

determinado para que alcance uma quantia abundante de dinheiro e uma

mulher fantástica ao seu lado. O segundo erro é usar a frase popular

brasileira “O trabalho dignifica o homem” e não ir ao fundamento, não

fazer uma genealogia desta frase, pois qual trabalho realmente dignifica o

homem? Será que qualquer tipo de trabalho dignifica qualquer tipo

homem? Será que qualquer tempo determinado de trabalho dignifica o

homem?

No Brasil, após a Constituição Federal de 1988, foi definida a jornada de

trabalho: Art. 7º inciso XIII – “duração do trabalho normal não superior a

oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a

compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou

convenção coletiva de trabalho”. Sendo assim, na contemporaneidade

brasileira a maioria das pessoas trabalham cerca de oito horas e quarenta

minutos por dia, neste tempo está incluso somente o tempo de trabalho,

ou seja, não conta o tempo de deslocamento da casa ao trabalho e o

horário de almoço. Então uma pessoa que trabalha de segunda à sexta-

feira, dedica cerca de dez horas e trinta minutos de seu dia ao trabalho –

sem contar exemplos como em São Paulo, que pessoas demoram três

horas para chegar ao trabalho.

O período em horas que um estudante deve dedicar aos estudos é de

aproximadamente quatro horas por dia, somente em sala de aula. No

brasil, o estudante se forma no ensino médio com aproximadamente 17

anos, vários estudantes com essa idade já estão trabalhando ou quando

se formar no ensino médio serão submetidos ao trabalho. Segundo a

PNAD, 2007, hoje em dia, torno de 4,8 milhões de crianças e

adolescentes entre 5 e 17 anos estão trabalhando no Brasil, deste

montante, cerca de 1,2 milhão estão na faixa entre 5 e 13 anos. A

Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE),

em 2013 somente 11% da população entre 25 e 64 anos de idade, estão

matriculados no ensino superior.

Com as informações acima, podemos perceber que no brasil milhares e

milhares de pessoas são obrigadas a conciliar trabalho com a educação.

Fazendo uma análise do tempo que é preciso para ter uma boa

aprendizagem e o tempo que é gasto com o trabalho, podemos perceber

que é humanamente impossível praticar os dois, pelo menos pratica-los

com excelência.

Então, será que nestas condições o trabalho dignifica mesmo? Será que é

preciso sofrer, negar grande parte dos lazeres e ócio para poder trabalhar

e estudar? È preciso rever os fundamentos saber quais caminhos

queremos tomar, é preciso fazer mudanças com relação ao modo e forma

de trabalhos institucionalizados em nossa sociedade.

O grande filosofo John Locke, conhecido pelo por ser um contratualista,

dizia que o homem nasce com direitos naturais, são eles: direito a vida,

direito à liberdade e direto à propriedade privada. Segundo Locke, todos

os homens, que, sendo todos iguais e livres, nenhum deve prejudicar o

outro, quanto à vida, à saúde, à liberdade, ao próprio bem. E, para que

ninguém empreenda ferir os direitos alheios, a natureza autorizou cada

um a proteger e conservar o inocente, reprimindo os que fazem o mal,

direito natural de punir, e este direito de punir e de zelar pelas pessoas

vem do estado. Assim, devemos perguntar-se, será que esse dever de

zelar pelos mais fracos está sendo exercido pelo estado? Será que esse

poder que confere ao estado está sendo administrado nesta relação de

trabalho e educação?

Contudo, podemos dizer que a relação de trabalho e educação é

consequentemente destruidora, pois se ela atrapalha a educação,

atrapalha todas as coisas que a educação gera, e um povo sem educação

é um povo facilmente corrompível e despreparado para a vida em

comunidade.


 
 
 

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